Ser um fanzineiro não era a idéia que nossas mães tinham em mente quando nos geraram. Advocacia, veterinária, Odontologia, Psicologia, etc. tudo trocado pela ideologia própria que queimava nossa mente e exigia ser liberada.
Fizemos a coisa certa?
Sendo moldados pelo destino que a sociedade prega, é certo que conseguiríamos um status na própria Mãe-Mundo, mas e a nossa liberdade de expressão ? Onde ficaria ? Escondida sorrateiramente nos porões da mente, acorrentada e muda???
NÃO MESMO!!! Somos considerados loucos por seguir um caminho que muitos julgam ser sem sentido. Horas (e até dias!!!) debruçados sobre borrões de tinta, ilustrações e massas inertes de papel que, como um grotesco Frankenstein de celulose, estariam prestes a ganhar vida e caminhar. Ganhamos com esse suor uma gratificação maior que a do dinheiro. Ganhamos uma identidade única e a experiência de criar universos repletos de criaturas maravilhosas e terríveis. Somos "DEUS" por alguns minutos...
Mas por outro ângulo talvez sejamos realmente loucos. Freaks de uma nova espécie de razão e nossas máscaras possuem a boca descoberta e os olhos bem abertos. Se a loucura que todos condenam é esta sensação de asas abertas para qualquer lugar, seja ele real ou não, que venha então a loucura.
Fazemos porque gostamos e estamos fazendo gostar.
IAM GODOY, editor e um dos fundadores do grupo RAVENS HOUSE.
QUE DIABOS É FANZINE?

Um pouco de informação não faz mal à ninguém...
Fanzine é uma abreviação de fanatic magazine, mais propriamente da aglutinação da última sílaba da palavra magazine (revista) com a sílaba inicial de fanatic.
Fanzine é, portanto, uma revista editada por um fan (fã, em português). Trata-se de uma publicação despretensiosa, eventualmente sofisticada no aspecto gráfico, dependendo do poder econômico do respectivo editor (faneditor). Na sua maioria é livre de preconceitos, e engloba todo o tipo de temas, com especial incidência em histórias em quadrinhos, ficção científica, poesia, música, feminismo, vegetarianismo, veganismo, cinema, jogos de computador e vídeo-games, em padrões experimentais. Também se dedica à publicação de estudos sobre esses e outros temas, pelo que o público interessado nestes fanzines é bastante diversificado no que se refere a idades, sendo errônea a idéia de que se destina apenas aos jovens, ainda que estes sejam concretamente os que mais fazem uso desse meio de comunicação.
Prova desta afirmação é a de que os primeiros fanzines europeus, especialmente franceses e portugueses, foram editados por adultos, dedicando-se ao estudo da história em quadrinhos. A sua origem vai encontrar-se nos Estados Unidos em 1929. Seu uso foi marcante na Europa, especialmente na França, durante os movimentos de contra-cultura, de 1968. Graças a esses movimentos, os fanzines são uma ferramenta amplamente difundida de comunicação impressa de baixos custos.
Fanzines no Brasil
No Brasil o termo fanzine é genérico para toda produção independente. Houve, uma distinção entre fanzines (feitos por fãs) e produção independente (produção artística inédita), mas a disseminação do termo "fanzine", fez com que toda a produção independente no Brasil fosse denominada fanzines.
O primeiro fanzine brasileiro foi o "Ficção", criado por Edson Rontani em 1965 em Piracicaba, São Paulo. Criado em uma época que o termo que definia produção independente era "boletim", o fanzine trazia textos infomativos e uma interessante relação de publicações brasileiras de quadrinhos desde 1905.
A produção de fanzines no Brasil dos últimos anos vem crescendo e tem características de reação dos artistas e público ao descaso das editoras de quadrinhos com relação a produção nacional. Neste caso, os fanzines brasileiros possuem valor cultural e serão incorporados à história dos quadrinhos brasileiros por ser uma produção expressiva de quadrinhos no país diante da pequena produção editorial no início deste século.
Diante da grande produção de fanzines no Brasil, diversas iniciativas vêm sendo tomadas com o objetivo de registrar a produção nacional. Recentemente foi criada a Fanzinoteca de São Vicente que se tornou a segunda maior fanzinoteca do mundo por seu acervo de edições catalogadas. Em 2004 foi lançado o Catálogo oficial da Fanzinoteca de São Vicente contendo dados de 1.000 fanzines nacionais.
No Brasil ocorrem anualmente duas grandes convenções de fanzines: "Fanzinecon" e "Fanzine Expo", as duas são parte integrantes de eventos de anime/mangá. A "Fanzinecon" acontece dentro do evento "Animecon" e a "Fanzine Expo" acontece dentro da "Anime Dreams" e "Anime Friends" que na contou com mais de 50 fanzines expostos e um público de 40.000 pessoas em julho de 2005, segundo os organizadores.
Na região do Estado de São Paulo, mais precisamente na Baixada Santista, existe há cerca de dois anos "A Gazeta Alternativa", o que pode ser chamado de "o maior fanzine cultural da região". Publicado pela Editora Nova Linguagem, consiste propriamente de uma revista mensal, a qual mantém o espírito de uma publicação caseira, no que tange ao seu conteúdo. Surgido como um fanzine, a divulgação do mesmo aumentou de tal maneira a ponto de seus idealizadores sentirem-se obrigados a criar uma editora para viabilizar a publicação do mesmo, garantindo assim aos seus colaboradores todas as regalias referentes aos Direitos Autorais. Atualmente, com uma tiragem de 5.000 exemplares (coisa que, para um fanzine convencional, é impossível), "A Gazeta Alternativa" possui como característica principal o fato de que suas matérias são feitas pelos próprios leitores, consistindo assim em um espaço para a livre expressão da população jovem.
Fanzines em Portugal
Em Portugal fizeram sucesso nos anos 80 alguns fanzines vocacionados para a cultura Pop e Rock e ligados ao meio literário alternativo. São de destacar os fanzines: Da Frente, Confidências do Exílio e Abandassom, ligados ao mundo da música jovem e o Ara-Gris onde despertaram alguns nomes da literatura portuguesa dos anos 90. Algumas sobras encontram-se ainda à venda em vários alfarrabistas de Lisboa e Porto.
E-zine
E-zine é a contração de "electronic" e "fanzine", ou seja, um "fanzine eletrônico". Trata-se
de uma publicação periódica, distribuída por e-mail ou postada num site, e que foca uma área específica (como informática, literatura, música experimental , etc). Possui as características de um fanzine, mas em vez de usar o formato tradicional de divulgação (papel), lança mão do formato eletrônico, seja como um documento que pode ser aberto por um aplicativo específico (por exemplo, um arquivo de texto, PDF ou HTML, geralmente com ligações que permitam percorrê-lo em modo de hipertexto), seja como um executável para uma plataforma específica.
Nestas publicações, direta ou indiretamente, se tratam de assuntos relacionados com a informática (hardware, software, programação, segurança, sistemas operacionais, etc). Existem também e-zines comerciais, mais voltados para a venda de espaços publicitários do que para a produção de conteúdo.
TODAS AS INFORMAÇÕES FORAM RETIRADAS DO SITE WIKIPÉDIA: